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A abertura do filme com créditos no
início, à moda antiga, acho super charmosa. Principalmente com uma canção
muito bem selecionada como As aristogatas. Na versão original,
Maurice Chevalier foi tirado de sua aposentadoria para cantá-la. Essa
canção expressa todo o espírito francês do filme. No Brasil, ela é
cantada parte em português e parte em francês. Também podemos observar já
nas primeiras cenas, o cuidado dos artistas ao retratar a França, desde a
arquitetura até as paisagens. Foram usados 900 planos de fundo pintados.
Se você prestar atenção, a mansão da madame Adelaide, tanto por dentro
como por fora, é um dos cenários mais ricos em detalhes de todos os
longas-metragens já produzidos pela Disney.
Conforme citado acima, a caracterização
dos personagens foi realizada com base nos atores que trabalhariam na
dublagem. O resultado é incrível. Os personagens têm vida própria, são
totalmente personalizados e jamais confundidos. A gatinha Marie é
considerada um personagem inesquecível. Ainda hoje existem produtos com
linhas exclusivas da Marie. Desde utensílios infantis até materiais
escolares. ComoAristogatas não é um conto de fadas como Branca
de Neve, Cinderela e Pinóquio, ver seus personagens
ultrapassando os limites do tempo é prova de que seus animadores fizeram
um excelente trabalho.
A palavra aristogatas, nesse caso, faz
menção a aristocratas. Fazendo-nos entender que os gatinhos são de uma
classe elevada. O roteiro também nos passa essa imagem, o passatempo dos
filhotes eram aulas de piano, canto e pintura. Como nós sabemos, a arte é
muito mais apreciada e alcançada pelas altas classes sociais. O filme
também recebeu algumas críticas por lembrar 101 Dálmatas e não
podemos negar essa semelhança. Além de ser um grupo de animais de
estimação tentando voltar pra casa, o aspecto rabiscado dos desenhos e os
traços exagerados em alguns personagens, por exemplo, as pernas muito
finas do advogado Jorge, nos remetem à produção de 101 Dálmatas. Mas
em momento nenhum isso tornou o filme cansativo. Até por que, já estamos
acostumados a ver algumas semelhanças entre as produções.
Exemplo: Branca de Neve, Cinderela eA Bela Adormecida.
Não precisa ser um especialista no
assunto para perceber que Aristogatas apresenta uma comédia
bastante extravagante. Algo que não me agradou nas primeiras vezes que
assisti. Eu já estava acostumado com produções mais sérias, ou ainda,
mais maduras. Como O Rei Leão e Pocahontas. Eu já havia
esquecido que o público-alvo era infantil. Mas, aos poucos, aprendi a
admirar os olhos do ambicioso Edgar se tornando cifrão, e sua habilidade
em dirigir uma motocicleta de cabeça para baixo buscando fugir dos cães
que o perseguiam. Aliás, esses cães, Napoleão e Lafayette, fizeram tanto
sucesso em sua primeira cena, que a história teve que ser mudada para que
pudessem aparecer de novo. Confesso que a segunda aparição é ainda mais
engraçada. Uma das minhas cenas favoritas. O interessante é que Napoleão
e Lafaiette em momento nenhum contracenam com os aristogatas.
Curiosidades:
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ARISTOGATAS foi originalmente planejado
para ser um especial live-action de duas partes para o programa de TV
Walt Disney’s Wonderful World of Color.
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Foi o último filme de animação aprovado
para produção por Walt Disney. Ele morreu antes que a produção pudesse
começar, então também foi o primeiro filme produzido e lançado após sua
morte.
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Antes de ser a voz do gato Thomas
O'Malley, Phil Harris já havia trabalhado para a Disney em 1967, fazendo
a voz do urso Balú de MOGLI: O MENINO LOBO. Harris ainda faria a voz do urso
Pequeno João no animado de 1973 ROBIN HOOD. Eva Gabor, a Duquesa, interpretou
alguns anos depois a ratinha Bianca, dos animados BERNARDO E BIANCA
(1977) e BERNARDO E BIANCA NA TERRA DOS CANGURUS (1990).
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O personagem Gato Pilantra (Scat Cat)
era para ter sido dublado por Louis Armstrong. Sendo assim, a aparência
do personagem foi modelada com base em Armstrong – o modo que ele tocava
seu trompete, sua psique, e até mesmo a aparente separação entre seus dentes.
No entanto, Louis Armstrong desistiu de sua participação no filme no
último minuto. Sua substituição, Scatman Chroters, foi dirigido para
“fingir que era Schatmo”.
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Os irmãos Robert e Richard Sherman,
cujo pai escreveu o grande sucesso de Maurice Chevalier “Living in the
Sunlight, Loving in the Moonlight”, tiraram Chevalier de sua aposentadoria
para cantar a canção título. “Por Walt”, ele disse.
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Para animar as gansas Amélia e Abigail,
os animadores Frank Thomas e Ollie Johnson pegaram uma câmera e filmaram
gansos de verdade na fazenda de um amigo.
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Os dois cães da fazenda, Napoleão e
Lafayette fizeram tanto sucesso em sua primeira aparição que a história
teve que ser mudada para que eles pudessem aparecer novamente.
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Para a cena em que Thomas se afoga
tentando salvar Marrie, Phil Harris fez os grunhidos e tossidos do personagem
enfiando parte de seu rosto em uma bacia de água enquanto assistia o
filme na tela. Ele fez a cena em apenas um take.
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Assim como em MOGLI: O MENINO LOBO, o
design e personalidade dos personagens foram modelados com base nos
atores que faziam suas vozes.
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O nome completo de Thomas O’Malley
(escutado apenas na versão original do filme em inglês) é Abraham Delacey
Giuseppe Cassey Thomas O’Malley.
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Por medida de redução de gastos,
algumas cenas do filme são recicladas de outros filmes Disney. A animação
da cena em que Thomas pula na traseira do caminhão carregando Marrie foi
retraçada de uma cena semelhante de Pongo em 101 DÁLMATAS. Cenas de animação
do próprio filme são re-utilizadas diversas vezes, como durante a cena
final que reúne partes do número “Evr’ybody Wants To Be a Cat” (repare
que o Gato Chinês chega a aparecer duas vezes no mesmo quadro).
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Dois veículos de 101 DÁLMATAS (1961)
reaparecem nesse filme: o carro dos Bad’uns (Horácio e Gaspar) e a van de
mudança.
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Edgar é um vilão muito britânico: foram
feitos para ele uma jaqueta cinza e calças azuis, ambas sobre medida, lhe
dando um ar mais "gentil".
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Em alguns quadrinhos e livros de
história, O’Malley é chamado de Matinhos.
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O filme levou quatro anos para ser
produzido. Foram feitos mais de 325.000 desenhos feitos por 35 animadores,
com 20 seqüências principais tendo 1.124 cenas separadas usando 900
planos de fundo pintados. O projeto envolveu cerca de 250 pessoas.
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Apesar de criticado por sua semelhança
com A DAMA E O VAGABUNDO e 101 DÁLMATAS, críticos concordaram que o filme
era divertido e charmoso, ainda que não necessariamente memorável.
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ARISTOGATAS foi um positivo sucesso de
bilheteria, até mais na Europa do que na América (sua recepção na França
foi excelente), dando como certo a continuação do legado de Walt Disney
mesmo depois de sua morte.
Nota 9,5
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