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Atualizado em 11 de abril de 2012
As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne
Direção: Steven Spielberg
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Título original
The Adventures of Tintin
Título no Brasil
As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne
Áudio
Português / Inglês / Francês
Tempo de duração
107 minutos
Ano de lançamento
2011
País de origem
Estados Unidos, Nova Zelândia
Gênero
Animação, Aventura
Elenco
(Vozes) Jamie Bell, Simon Pegg, Andy Serkis, Nick Frost, Mackenzie Crook, Daniel Craig, Toby Jones, Gad Elmaleh.
Sinopse
'As Aventuras de Tintim' segue o ávido e insaciável jovem repórter Tintim (Jamie Bell) e seu leal cachorro Milu a partir do momento em que eles descobrem que o modelo de um antigo navio contém um segredo explosivo. Atraído pelo mistério centenário, Tintim se vê na mira de Ivan Ivanovitch Sakharin (Daniel Craig), um vilão diabólico que crê que Tintim roubou um tesouro valioso ligado a um velho pirata cruel chamado Rackham, o Terrível. Com a ajuda de seu cachorro, Milu, do mordaz e resmungão Capitão Haddock (Andy Serkis) e dos atrapalhados detetives Dupond & Dupont (Simon Pegg e Nick Frost), Tintim percorrerá meio mundo, sendo mais esperto e mais rápido que seus inimigos, numa perseguição vertiginosa atrás da localização exata de onde teria afundado O Licorne, um galeão naufragado que pode conter a chave de uma imensa fortuna… e de uma antiga maldição.
Dos mares revoltos às areias dos desertos norte-africanos, cada reviravolta arrasta Tintim e seus amigos a níveis mais fortes de emoções e perigos, demonstrando que quando alguém se arrisca a perder tudo, não há limites para o que você é capaz de fazer.

Meu comentário

Não sou um fã incondicional de Tintim que conheci em minha infância, primeiramente em quadrinhos e depois nos desenhos exibidos ao ocaso, na TV Cultura.
Quando soube que as aventuras do repórter seriam transportadas para o cinema pelas mentes e mãos dos mestres Steven Spielberg e Peter Jackson, imaginei que poderia ser apenas mais uma dessas maravilhas tecnológicas do mago Spielberg e, por mais estranho que lhe possa parecer, fiquei com um pé atrás ao acompanhar o notável declínio do diretor de clássicos como Tubarão e E.T. – O Extraterrestre ao vê-lo envolvendo-se em projetos de gosto discutível tais quais as séries Falling Skies e Terra Nova. E com a chegada de Cavalo de Guerra, outra produção recente de Spielberg, temi pela sobrevivência de Tintim longe da telinha. Porém, meus receios não se concretizaram, felizmente. 'As Aventuras de Tintim' é o que há de melhor nos contos de Hergé somado à habilidade de Spielberg como não se via há anos.
No filme, conhecemos o jovem repórter e seu simpático e esperto cachorro Milu. Juntos, os dois embarcam em uma sombria investigação que logo se desenvolve para um excitante jogo de gato-e-rato ao redor do mundo, logo que Tintim adquire uma réplica de um navio numa feira. Auxiliados pelo Capitão Haddock, e os detetives Dupont e Dupond, a dupla mergulha cada vez mais fundo nos mistérios que cercam o passado de Haddock e o navio Licorne.
Dotado do mesmo espírito que a série animada possuía, 'As Aventuras de Tintim' já revela suas pretensões nos créditos iniciais, nos levando ao passado através de uma máquina de datilografia e recriando desenhos que remontam o personagem apenas em sombras. Dali já era possível depreender que Jackson e Spielberg nos brindariam com uma aventura nos moldes antigos, sem a necessidade da barulheira e ritmo desenfreados das produções de hoje em dia. Não que à obra falte ação – muito pelo contrário – apesar de intensa e frenética do início ao fim sem jamais precisar do caos que se instaurou nos filmes de ação atuais. Portanto, mesmo sem permitir que o espectador respire, o filme consegue ser elegante ao longo da uma hora e quarenta e sete minutos principalmente pela liberdade com a câmera e com o feito pós gravação – falamos então do projeto digital.
Através de sua potente imaginação e sem o peso de um maquinário nas mãos o tempo todo, o diretor usa e abusa de movimentos de câmera que não só ligam um ponto a outro do filme com extrema criatividade, como nos conduzem a passeios jamais imaginados em uma construção live-action. Nosso campo de visão ora é levado para as lentes de um binóculo, ora para um travelling por entre as barras de uma cela, bem como ultrapassa vidraças e encaixa-se debaixo de armários. As transições são um personagem à parte da película, já que são capazes de ligar um bote perdido no oceano a uma poça d’água numa calçada, ou mesmo usar de objetos de cena, como uma cimitarra, para nos transportar ao passado, enquanto jurávamos ainda enxergar o presente.
E em se tratando de personagens, a Weta Digital revela mais uma vez seu poder e de seu criador, Peter Jackson, ao pôr em tela personas que conseguem ser cartunescas e, ao mesmo tempo, dotadas de extremo realismo. É sem medo que Spielberg aproxima a câmera dos rostos de suas criações digitais, já que podemos ver singulares detalhes como rugas, cicatrizes ou mesmo os fios de cabelo embaraçando-se ao vento. E muito se deve, evidentemente, às interpretações de Jamie Bell na pele de Tintim, e de Andy Serkis como Haddock, sempre eficiente e à vontade na técnica da captura de movimentos. Destaque também para Daniel Craig como o vilão Sakharine e dos atores Simon Pegg e Nick Frost, que conferem o timing cômico e a leveza necessária à dupla Dupont e Dupond.
      Apesar do tom cartunesco já citado, é impressionante o realismo da animação, característica essa que apelidei de “realismo fantástico”, numa óbvia contradição. Desde os vincos das roupas até detalhes dos cenários, como as roldanas, correntes e ferrugem de uma embarcação onde parte da ação ocorre, jamais duvidamos da veracidade da trama, tão profunda e eficaz é a imersão proporcionada por Jackson e sua equipe. Em um plano aberto, já perto do terceiro ato, verificamos o navio de Sakharine ancorado em um porto, e se uma fotografia fosse tirada naquele momento e mostrada às pessoas do mundo real, certamente muitos se convenceriam que o cenário visto existia em alguma parte do globo, pois cada cena parece ter sido planejada nos mínimos detalhes. 
Créditos também para a trilha sonora de John Williams, que dá o tom correto à aventura e acompanha o retorno à boa fase de seu maestro-mor, Spielberg. As composições se encaixam perfeitamente aos momentos mais sombrios da trama, bem como àqueles que necessitam de vibração nas perseguições sem fim. E não há como deixar de lado o roteiro de Edgar Wright, Joe Cornish e do gênio Steven Moffat – o cérebro por trás de criações como as temporadas mais recentes de Doctor Who e a impecável minissérie Sherlock, que põe no chão as adaptações cinematográficas de Guy Ritchie. Graças ao trio, Hergé pode permanecer em seu tranquilo descanso.
'As Aventuras de Tintim' não só irá despertar as crianças (hoje crescidas) que se esbaldavam nas peripécias do repórter, como, certamente, atrairá um novo público para a obra, tamanho o cuidado com que Jackson e Spielberg construíram a fita, envolvendo pelas cenas de ação, bom humor e mesmo a maneira adulta com a qual a trama é tratada, sem desmerecer a inteligência do espectador. Como grande filme que é, arrisco a dizer até que o capitão Haddock desbancou facilmente um tal de Jack Sparrow do posto de mais adorado capitão dos cinemas, não só pelo fato de que este vinha em um vergonhoso declínio, como aquele é tudo aquilo que Sparrow foi, mas sem os excessos.
Curiosidades:
F Inicialmente, o longa tinha o subtítulo 'O Segredo do Licorne'.
F Spielberg dirige o primeiro e Peter Jackson o segundo filme da franquia. Caso Jackson e Spielberg não encontrarem um diretor de nível para assinar o terceiro. James Cameron está em negociações para comandar o terceiro filme da franquia.
F Os filmes utilizarão a tecnologia 3D digital de captura de movimentos.
F Jamie Bell, conhecido pelo ótimo 'Billy Elliot', vive o protagonista. O ator substitui Thomas Sangster ('Simplesmente Amor'), que precisou abandonar o projeto depois de atrasos nas filmagens.
F Os personagens Tintim (um jovem jornalista) e Milu (seu cachorro) apareceram pela primeira vez em 10 de janeiro de 1929, no Le Petit Vingtième, um suplemento do jornal Le Vingtième Siècle destinado aos jovens e posteriormente acabou ganhando uma série animada.

É uma prova de que sempre existe uma possibilidade de mudança, basta acreditar no ser humano e no que há de bom em seu coração.
 Nota 8,0

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