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Assisti a esse filme em Belo
Horizonte/MG, em outubro de 2011, em companhia de uma prima querida e do
meu tio. Mas porque falar sobre a prima e o tio? Espera um pouco siô, não
saia que vou me explicar. Simples: minha prima me levou e meu tio, um
ex-padre com formação religiosa dos tempos das antigas, só não saiu antes
do término do filme por minha culpa (desculpa tio, tá!) e já deve ter
notado o drama do coitado, que filme do Almodóvar é de arrepiar. Pena que
meu tio não assistiu pela arte em ver um Antônio Bandeiras primoroso na
pele de um coitado que transforma um outro coitado – não tão coitado.
Ao assistir o espectador deve
estar atento a uma série de pequenos detalhes que, aos poucos – em doses
amenas – vão explicando e dando corpo ao treco e, somente depois daqueles
pequenos detalhes que passam desapercebido da maioria, é que entende-se o
que se passa na telona (se você tem o DVD, assista novamente e preste
atenção ao vestido e àquela festa) pois não vá sair por aí dizendo que
não entendeu a doideira do Ledgard (Bandeiras).
Está certo que meu tio teve lá
suas razões em querer sair antes do fim – o coitado ficou o tempo todo
tapando o rosto com as mãos depois daquele coito dolorido. Mas tinha que
ter e não é apenas por ser um filme Almadôvar, sem ela não haveria o
choque que nos obriga a prestar atenção às pequenas coisas, pequenos
fatos, gestos e lembranças colocadas estrategicamente ao longo da
primeira metade do filme que serão, na última quinta parte, chaves para
desvendar os mistérios.
Não vi erros, não vi falhas e
nada que pudesse me desagradar. É um filme coeso quer dentro da ótica
forte desse monstro espanhol e nem na atuação madura e realística de um
Bandeira cada vez melhor.
Olhe aqui amigo(a), não
deixe de assistir pelo que lhes contei sobre meu tio que somente destapou
os olhos quando sentiu que a sala estava vazia – só de mau sai e não lhe
falei que o filme tinha terminado.
Obrigado Silvinha(*), foi bom,
muito bom mesmo!
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(*) Minha prima “quase” mineira
que me deu esse presentão.
Nota 8,5
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