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Atualizado em 13 de abril de 2012
O Menino do pijama listrado
Direção: Mark Herman
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Título original
The Boy in the Striped Pyjamas
Título no Brasil
O menino do Pijama listrado
Áudio
Inglês, Português
Tempo de duração
93 minutos
Ano de lançamento
2008
País de origem
Reino Unido, Estados Unidos
Gênero
Drama
Elenco
Asa Butterfield (Bruno), Jack Scanlon (Shmuel), Vera Farmiga (Elsa - Mãe, entre outros), Rupert Friend (Sarg. Kurt Kotler), David Thewlis (Ralf – Pai)
Sinopse
Alemanha, Segunda Guerra Mundial. O menino Bruno (Asa Butterfield), de 8 anos, é filho de um oficial nazista (David Tewlis) que assume um cargo importante em um campo de concentração. Sem saber realmente o que seu pai faz, ele deixa Berlim e se muda com ele e a mãe (Vera Farmiga) para uma área isolada, onde não há muito o que fazer para uma criança com a idade dele. Os problemas começam quando ele decide explorar o local e acaba conhecendo Shmuel (Jack Scanlon), um garoto de idade parecida, que vive usando um pijama listrado e está sempre do outro lado de uma cerca eletrificada. A amizade cresce entre os dois e Bruno passa, cada vez mais, a visitá-lo, tornando essa relação mais perigosa do que eles imaginam.

Meu comentário

Holocausto, segundo o dicionário Houaiss, é palavra utilizada pela primeira vez no século XIV e diz respeito a um sacrifício hebreu que consistia em queimar-se inteiramente a vítima. Por sua vez a história contemporânea tratou de resignificá-la ao nomear a barbárie do extermínio judeu empreendido pelo fascismo hitlerista, fazendo alusão aos modos utilizados nesse assassinato em massa. E apesar de não ser este o espaço apropriado pra aprofundar a discussão sobre essas escolhas, a dúvida que fica, transcorridos mais de 60 anos desde o episódio, é pensar porque o cinema insiste em esgarçar a possibilidade de olhares sobre o tema já que mesmo com tal diversidade de pontos de vista o holocausto corre o risco não de ser analisado, mas de banalizar-se pelo excesso.
O enfoque maior de O Menino do Pijama Listrado talvez não seja necessariamente o episódio que narra, mas o tema maior da intolerância étnica que tem voltado a ser tornar um problema tão sério que já não pode deixar de ser discutido. No entanto a maneira como se constrói a narrativa e os elementos utilizados para encadeá-la, esvaziam sua intenção e deixam o produto final com cara de mais do mesmo.
Mas falemos do filme antes de prosseguir: Bruno (Asa Butterfield) é um garoto de oito anos que vive sua vida feliz ao lado da família, até que o pai (David Thewlis), que é oficial do reich alemão, é transferido pra uma tarefa no interior e leva a família toda. Deslocado, Bruno precisa se relacionar com o novo e, para o bem ou para o mal, o novo é um campo de extermínio nos fundos da sua nova casa-prisão. Curioso, o menino se aproxima cada vez mais daquela suposta fazenda em que todos vestem pijamas. E lá ele começa a aprender sobre os jogos políticos que envolvem as sociedades e desconstrói o mito do judeu como bode expiatório de vários defeitos intrínsecos aos seres humanos quando conhece Shmuel (Jack Scanlon), que na metáfora mais óbvia, é um duplo de Bruno, menino da mesma idade que vive do outro lado da cerca que demarca o problema. Ali eles estabelecem essa relação como reflexo num espelho quebrado, em que de um lado existe o arquétipo pronto da vida no quadrante correto, e no outro a expressão de todos os problemas desse quadrante expostos em cada detalhe: no dente cariado, no cabelo raspado, em tudo o tal menino do pijama listrado é o mesmo que Bruno, só que do lado errado da cerca.
Apelando para o estreitamento desse laço de amizade, a ação carrega Bruno até o último limite da sua curiosidade: estar dentro da cerca com Shmuel. O final dele é previsível e existe uma espécie de letreiro de neon piscando desde o começo do filme, nos preparando e dizendo que esse final não é bom, tanto pra Bruno como para Shmuel, e a cena dos garotos se dando as mãos e finalmente apagando as supostas diferenças que os separam faz dos dois uma coisa só, sem com isso problematizar a questão. A docilidade do menininho judeu que perdoa uma traição grosseira do seu amiguinho alemão é outra falha nesse processo e tira a chance que o filme teria de dar mais nuances a essa relação.
Enfim, há uma mensagem interessante que fica esmagada sob as botas grosseiras que Shmuel usa como parte do uniforme. E não fica claro se essa mensagem fica obscurecida pelo uso de um exemplo cinematograficamente já tão usado como ponto para outras discussões ou se houve uma preguiça em problematizar melhor essa história que o escritor John Boyne construiu como um romance e que David Heyman, o produtor responsável também pela franquia Harry Potter, resolveu levar para o cinema.
As intenções sobre uma produção como essa no geral nunca ficam muito claras, mas se estamos aqui para falar da sensibilidade que o filme aponta o que sobra é um melodrama previsível. Pena para Bruno e Shmuel que são sacrificados em nome de um discurso que não conseguem fazer entender, assim como o próprio episódio que escolheram para dar luz a essa questão.

Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de "O Menino do Pijama Listrado" e das filmagens!
Personagens sem nome
Apesar dos pais do protagonista possuírem nomes (Ralf e Elsa), eles são creditados no filme apenas como Mãe e Pai para reforçar o ponto de vista da obra que é totalmente ligado ao menino.
Nome trocado e ligado ao futebol
O personagem Meinberg teve seu nome traduzido para o inglês como "My Hill" ou "My Mountain". Coincidência ou não, o diretor Mark Herman é torcedor do time Hull City e o goleiro do time na ocasião chamava-se Boaz Myhill.
Aliança na mão errada? Não.
Embora muitos cinéfilos observadores possam ter achado que a personagem de Vera Farmiga (Elsa, a mãe) estaria usando a aliança de casada na mão errada, na Alemanha, o símbolo do matrimônio costuma ser usado na mão direita ao contrário da maioria dos países que usa na mão esquerda.
Agulha na mão errada? Sim.
Quando a mãe está fazendo tricô e escutando rádio, ela usa o método inglês onde a mão direita segura a lã. Na Alemanha, é a mão esquerda que faz a tarefa.
Ops! Erramos ...
Quando o protagonista retorna da visita que fez ao menino Shmuel, ele entra em casa e fecha a porta, mas quando sua mãe chega a cãmera mostra a porta ainda aberta.
Característica mórbida de um lugar
Famoso pelas crueldades ocorridas em suas instalações, o campo de concentração Auschwitz não tem seu nome divulgado no filme, mas o que faz pensar que seria ele o retratado é a presença de de quatro fornos crematórios, único com esta mórbida característica.
Bandeiras erradas
As bandeiras nazistas no começo do filme são meio trasparentes e pintadas em tecido parecido com nylon. Esse material nunca foi usado pelo exército alemão e elas sempre foram opacas.
Música incorreta
Quando o pai de Bruno desce pelas escadas durante a festa, se ouve o hino nacional da Alemanha, mas para a época que se passa o filme a opção foi incorreta, pois devíamos ouvir a canção Horst Wessel, hino do partido nacional socialista, o NSDAP.
Mancada na hora do adeus
Quando o menino Bruno se despede de seus amigos logo no começo do filme, é possível ver pontes ao fundo da cena e elas são daquelas que possuem mecanismos eletrônicos, algo improvável nos anos de 1940.
Cena triste e complicada de realizar
Sobre a cena em que crianças são vistas ao lado de muitos adultos sem roupa, o cineasta disse que tinha mais advogados do que outra coisa nos bastidores, mas todas as obrigações legais foram cumpridas para a realização dela.
Desafinando no momento musical
Na festa de despedida que acontece em Berlim, a cantora usa um microfone Shure 55SH, famosa marca americana, algo impensável quando se sabe que os alemães era extremamente orgulhosos por terem as marcas Sennheiser e Neumann como pioneiras nos estúdios de gravação.
Tempo de filmagens
As filmagens ocorreram entre 29 de abril e julho de 2007.
Passagem pelo Brasil antes do circuito comercial
Exibido na mostra Foco Reino Unido, no Festival do Rio 2008, que ocorreu em setembro. A estreia nos cinemas aconteceu somente em dezembro de 2008.
Investimento na produção
O orçamento foi estimado em US$ 12.5 milhões.

Este é um daqueles filmes que conseguiu marcar época na infância de minha geração.


Nota 9,7

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