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O thriller erótico “Ligadas pelo
Desejo” (Bound, EUA, 1996) tem, por vias tortas, lugar garantido na
mitologia do cinema contemporâneo. O filme, que marcou a estréia na
direção dos irmãos Andy e Larry Wachowski, foi concebido e produzido pela
dupla com a exclusiva intenção de provar à Warner que eles tinham
condições de comandar uma grande produção. Escrito e dirigido às pressas,
com o ridículo orçamento de US$ 4,5 milhões, “Ligadas pelo Desejo”
inaugurou um novo subgênero do filme policial: o lesbian noir.
Antes de falar sobre o longa-metragem,
no entanto, vale a pena detalhar a sua concepção. “Ligadas pelo Desejo” nasceu
porque, meses antes da estréia, os irmãos
Wachowski haviam levado à Warner um ambicioso
projeto de ficção científica. A história deixou o estúdio tremendamente
interessado, mas o executivos não queriam gastar milhões deixando que
aqueles dois iniciantes a dirigissem. Então, os Wachowski bateram os pés
e foram à luta, escrevendo e dirigindo “Ligadas pelo Desejo” para provar
que tinham talento. Foi dessa forma que obtiveram a luz verde para criar
a trilogia “Matrix”.
“Ligadas pelo Desejo” tem uma trama
muito simples. Violet (Jennifer Tilly) é a sensual esposa de um mafioso
(Joe Pantoliano) que se apaixona perdidamente pela ex-presidiária Corky
(Gina Gershon), uma vizinha recém-chegada. As duas garotas são amorais, e
traçam um arriscado plano para roubar uma bolada de US$ 2 milhões que
está na casa do tal mafioso, antes que a fortuna seja resgatada pelo
chefão da gangue. Cheia de reviravoltas e calcada em um visual pornô soft
repleto de couro negro, tatuagens, caras e bocas – as duas garotas são
atrizes limitadas e histriônicas, apesar de Gershon ser muito bonita – a
trama chama a atenção sobretudo pelo cuidado visual com que foi
conduzida.
Embora não haja rigorosamente nada de
novo no filme, ele agradou em cheio a uma platéia eminentemente jovem e
masculina, sobretudo pela carga erótica que a história carrega. A
seqüência mais comentada é a realista cena de sexo entre as duas
mulheres, em que a câmera lenta faz um giro de 360 graus em torno da
dupla na cama. Trata-se do tipo de imagem que
aparece no imaginário masculino com freqüência espantosamente alta – não
se espante se ao terminar de vê-la você estiver com a maior vontade de
fazer parte da cena. Uma lésbica chegou a ser contratada como consultora,
para garantir o realismo da esfregação entre as fêmeas.
O resultado deste tesão filmado é um
thriller interessante, mas não espetacular. Os personagens são meros
rascunhos, bonecos nas mãos dos diretores, sem qualquer densidade humana,
e mais ou menos na metade da narrativa já é possível ter uma boa idéia de
como tudo vai acabar. Isso não quer dizer, obviamente, que “Ligadas pelo
Desejo” não seja diversão descompromissada de bom nível. O filme fez uma
boa carreira em festivais alternativos de cinema, vencendo o cobiçado Fantasporto
(evento dedicado ao cinema jovem alternativo que ocorre anualmente em
Portugal).
O DVD nacional é um lançamento da NBO
Editora. O disco é simples e sem extras. O filme está no formato letterboxed
(1.85:1, não-anamórfico) com áudio Dolby Digital 5.1 (inglês) e DD 2.0
(português).
Nota
7,0
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