Eram épocas difíceis para o faroeste.
Enquanto muitos consideravam o gênero abatido e até mesmo destruído,
Silverado pode ser um considerado um filme regular. Logicamente que
muitas desculpas tiveram de ser dadas - e apenas cinco anos depois –
quando Kevin Costner (ator de Silverado) venceu sete Óscares com um
gênero parecido ao famoso bang-bang: Dança com Lobos foi o
primeiro filme como diretor na carreira de Costner. Dois anos depois
dele, novamente o mundo estava aos pés do western: Clint
Eastwood, com sua obra-prima Os Imperdoáveis foi o grande vencedor
do prêmio máximo do cinema. Sendo assim, podemos afirmar que o gênero
ainda não morreu, principalmente com as belas homenagens que andam
fazendo uma duplinha de irmãos, os Coen... Conhecem?
Como se percebe no vídeo acima, a
película mostra bastante ação e tiros, já se iniciando a mil por hora,
com um tiroteio um tanto quanto “irreal”, em que o personagem Emmett
(Scott Glenn) mata pessoas com tamanha habilidade. E não é só o começo:
durante todo o percurso do filme é mostrado mais momentos de habilidade e
de heroísmo. Além de momentos de ação, já é de se esperar em um faroeste
uma boa fotografia, tal qual John Bailey usou e abusou desta. Vale
destaque a direção segura e atenta a detalhes do diretor, roteirista e
até mesmo produtor Lawrence Kasdan; os diálogos foram muito bem
trabalhados (algumas passagens até com certo teor humorístico); uma
trilha sonora convincente de Bruce Broughton; e boas interpretações de
acordo com cada personagem.
Na história do filme, quatro homens têm
seus caminhos cruzados durante uma viagem que realizavam: os irmãos
Emmett e Jake (Scott Glenn e Kevin Costner, respectivamente), o
pistoleiro Paden (Kevin Kline) e ocowboy negro Mal (Danny Glover).
Todos estes foram expulsos da cidade de Turley pelo xerife Langston (John
Cleese), devido a uma série de acontecimentos (e dentre tais acontecimentos
estão fugas de prisão e racismo). Com as expulsões, o grupo ruma para
Silverado, cidade responsável por possuir o xerife corrupto Cobb (Brian
Dennehy), o qual também é velho “amigo” de Paden. Lá, o xerife espalha o
terror e então o grupo tentará impedir a ação de Cobb.
Algo que despertou – e muito – a minha
atenção neste filme foi um conflito quase inexistente em filmes de faroeste,
saindo totalmente dos clichês, algo que serve até de lição na sociedade
em que vivemos atualmente: enquanto em westerns mais antigos
eram abordados temas de conflitos entre índios e brancos, em Silverado o
racismo contra negros toma espaço. Um exemplo é de quando o personagem
Mal briga em um bar e é totalmente culpado pelo xerife Langston, sendo
que este nem sequer sabia o que havia lá acontecido.
Em meio a teores de humor, de ação e um
pingo de drama, Silverado acaba por tornar-se uma película que tentava se
alavancar nos tempos ruins do western. Dentro de seu elenco
aparecem nomes de efeito, como Kevin Costner, que ainda era um garoto nas
telas, além de ainda muitos outros, os quais fizeram da película algo
muito melhor. Ah, e sem esquecer o belíssimo trabalho realizado pelo
multifuncional Lawrence Kasdan.
Minha
Nota 8,5
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário