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Postado em 29 de abril de 2012
Django
Direção: Sergio Corbucci
 (Clique na figura bara baixar a capa do DVD)
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Título no Original
Django
Áudio
Inglês, Italiano, Português
Tempo de duração
97 minutos
Ano de lançamento
1966
País de origem
Itália, Espanha
Gênero
Western
Elenco
Franco Nero, José Bódalo, Loredana Nusciak,  Gino Pernice, Simón Arriaga, Giovanni Ivan Scratuglia. Erik Schippers,  Rafael Albaicín, José Canalejas, Eduardo Fajardo
Sinopse
Na fronteira mexicana, duas gangues rivais respectivamente lideradas pelo Najor americano Winchester Jack e pelo General mexicano Hugo Rodrigues - são surpreendidos por um pistoleiro chamado django, que chega arrastando um misterioso caixão. Disposto a vingar a morte de sua esposa, Django parte para uma luta sangrenta contra os bandidos das duas facções. Quem irá vencer no final? E o que Django traz dentro do caixão? Um western repleto de ação, recheado com tiroteios e lutas, com excelente fotografia e trilha sonora.

Meu comentário

Não há como negar que Django é um dos personagens mais marginalizados de toda a sétima-arte: foram cerca de 30 títulos com a alcunha do anti-herói vingador, sendo que 28 delas estiveram entre 1966 e 1987. Um grande número de filmes produzidos para um pequeno espaço de tempo! Dentre tais filmes na saga de Django, poucos obtiveram o sucesso esperado e um dos que conseguiram esta façanha foi justamente o “analisado” de hoje, no qual Franco Nero vive o papel responsável por lhe consagrar e estampar seu nome na história cinematográfica.
Partindo muito mais além, também é possível destacar a influência causada por Django em outros processos de produção: desde os atuais Sukiyaki Western Django e o ainda não lançado Django Unchained, o filme também colaborou – de forma negativa – para a criação da pornochanchada brasileira Um Pistoleiro Chamado Papaco, trabalho que tira todo o mérito do personagem criado pelo diretor Sergio e seu irmão roteirista, Bruno Corbucci.
Um homem coberto por uma roupa preta e arrastando um caixão sob uma superfície lamacenta. Como assim? Não era para ser um western, senhor Corbucci? Espera aí... Mas isto é um western! Um dos maiores bang-bang à italiana, pra ser mais exato! Em Django também se apresenta o maior dom de Sergio Corbucci que é, inclusive, o de transformar o árido deserto de Almería em qualquer outra coisa que fosse, porém estaríamos cientes que ali estava sendo filmado um faroeste – e da melhor qualidade. O mesmo aconteceu em uma de suas maiores obras-primas: O Vingador Silencioso, de 1968, onde somos afetados visualmente por uma branquidão e alguns rastilhos no meio da neve, indicando serem os personagens. E, após esta breve introdução de Django e seu criador, o filme se inicia justamente como explicado acima; ao lado dele, a trajetória do anti-herói também se coloca nos radares dos mais diversos cineastas.
Além desta habilidade própria de Corbucci e sua equipe, outro dos mais importantes detalhes para compor um trabalho do cineasta é a fotografia: o responsável desta vez é Enzo Barboni, trabalhando em seu primeiro faroeste da maneira mais exata possível e deixando tudo às vistas do espectador. Assemelhando-se à fotografia, há a marcante trilha sonora do argentino Luis Enríquez Bacalov, posteriormente conhecido no mundo todo por seu trabalho como compositor de soundtracks para o gênero. Já no processo de roteirização de Django – apesar de um grande número de pessoas responsáveis por isto –, a escrita é um dos pontos mais fracos do filme, sobrecarregando todo o bando. Contudo, como o diretor, Corbucci desfruta de close-ups para estampar a imagem degradada de seu personagem, utilizando-se ainda da tensão em momentos necessários.
O que pouco se sabe a respeito de Django é a simplicidade na qual o projeto foi realizado; prova disto é a falta de sangue nas cenas onde mais precisariam do elemento. Depois disto, o famoso argumento chega a ser interessante e abissal, porém sem um processo criativo muito apurado: o anti-herói chega a uma aparente cidade-fantasma, envolvendo-se diretamente com os revolucionários mexicanos do General Hugo (José Bódalo) e com os intolerantes sulistas da Klu Klux Klan, comandados pelo Major Jackson (Eduardo Fajardo). Além disto, ainda sobra tempo para o despertar de uma paixão entre Django e a prostituta Maria (Loredana Nusciak).
A cena de abertura é impagável e difícil de ser esquecida, tornando-se o melhor instante do longa realizado com uma fonte escassa de dinheiro. É possível que a partir dela o filme ganhe mais emoção, criando inúmeras contradições em nossas cabeças: “Quem é ele? Onde está indo? Por que carrega um caixão? O que há dentro dele?”, etc... Apesar de tudo, elas nos são respondidas tão rapidamente que quase nem reparamos.
Primeiramente, Django não pode deixar de ser comparado ao anti-herói antecessor do spaghetti: o Homem Sem-Nome, de Sergio Leone. A maior ligação entre eles é o fato de que, em seus primeiros filmes, ambos chegam misteriosos e em busca de algum objetivo – seja o dinheiro ou a vingança – numa cidade envolvida por dois diferentes grupos que batalham entre si. Posteriormente, sabemos que tanto um quanto outro possui uma mistificação de caráter, sendo quase impossíveis de serem acertados em um eventual duelo. Mesmo com tais gotículas de plágio, Django se prevalece na arte de levantar mais perguntas mesmo sendo um sujeito calado. Entretanto, uma das partes mais esperadas do filme – a de revelar o que haveria dentro de seu caixão – é um tanto quanto sem graça e, pelo menos para minha pessoa, o resultado não surpreende; menos surpreendente ainda é o romance grotesco criado entre Django e Maria.
Por último e finalizando o filme, há o surpreendente e inesperado duelo no cemitério. Deixando a surpresa e a tensão de lado, vemos algo mal realizado, principalmente porque Django não era capaz nem de posicionar sua arma e muito menos de sair atirando como um doido, o que no fim acontece.
Sendo um dos filmes favoritos de Quentin Tarantino, estaria esperando uma completa obra-prima de Django. Infelizmente, tomou um gélido ar de superestimação em seu conteúdo, mesmo por ser um dos filmes que mais representam o gênero do western spaghetti, apresentando uma estupenda vingança, uma diabólica e sádica crueldade e, enfim, os sempre presentes símbolos religiosos. Olhando de muito distante e deixando passar suas muitas particularidades e falhas técnicas, o filme realmente merece ser redescoberto e ter atenção nos dias de hoje. Eu sei que muitos discordarão de minhas opiniões expostas aqui, mas o que ninguém pode negar é que o gênero do spaghetti está esculpido em Django assim como a técnica está em uma escultura de Michelangelo...


Minha Nota 7,5

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