Franco Nero, José Bódalo, Loredana Nusciak, Gino Pernice, Simón Arriaga, Giovanni
Ivan Scratuglia. Erik Schippers,
Rafael Albaicín, José Canalejas, Eduardo Fajardo
Sinopse
Na fronteira mexicana, duas gangues rivais respectivamente
lideradas pelo Najor americano Winchester Jack e pelo General mexicano
Hugo Rodrigues - são surpreendidos por um pistoleiro chamado django, que
chega arrastando um misterioso caixão. Disposto a vingar a morte de sua
esposa, Django parte para uma luta sangrenta contra os bandidos das duas
facções. Quem irá vencer no final? E o que Django traz dentro do caixão?
Um western repleto de ação, recheado com tiroteios e lutas, com excelente
fotografia e trilha sonora.
Meu
comentário
Não há como negar que Django é um dos
personagens mais marginalizados de toda a sétima-arte: foram cerca de 30
títulos com a alcunha do anti-herói vingador, sendo que 28 delas
estiveram entre 1966 e 1987. Um grande número de filmes produzidos para
um pequeno espaço de tempo! Dentre tais filmes na saga de Django,
poucos obtiveram o sucesso esperado e um dos que conseguiram esta façanha
foi justamente o “analisado” de hoje, no qual Franco Nero vive o papel
responsável por lhe consagrar e estampar seu nome na história
cinematográfica.
Partindo muito mais além, também é
possível destacar a influência causada por Django em outros
processos de produção: desde os atuais Sukiyaki Western
Django e o ainda não lançado Django Unchained, o filme também
colaborou – de forma negativa – para a criação da pornochanchada
brasileira Um Pistoleiro Chamado Papaco, trabalho que tira todo o
mérito do personagem criado pelo diretor Sergio e seu irmão roteirista,
Bruno Corbucci.
Um homem coberto por uma roupa preta e
arrastando um caixão sob uma superfície lamacenta. Como assim? Não era
para ser um western, senhor Corbucci? Espera aí... Mas isto é um western!
Um dos maiores bang-bang à italiana, pra ser mais exato! Em Django também
se apresenta o maior dom de Sergio Corbucci que é, inclusive, o de
transformar o árido deserto de Almería em qualquer outra coisa que fosse,
porém estaríamos cientes que ali estava sendo filmado um faroeste – e da
melhor qualidade. O mesmo aconteceu em uma de suas maiores obras-primas: O
Vingador Silencioso, de 1968, onde somos afetados visualmente por uma
branquidão e alguns rastilhos no meio da neve, indicando serem os
personagens. E, após esta breve introdução de Django e seu criador, o
filme se inicia justamente como explicado acima; ao lado dele, a
trajetória do anti-herói também se coloca nos radares dos mais diversos
cineastas.
Além desta habilidade própria de
Corbucci e sua equipe, outro dos mais importantes detalhes para compor um
trabalho do cineasta é a fotografia: o responsável desta vez é Enzo
Barboni, trabalhando em seu primeiro faroeste da maneira mais exata
possível e deixando tudo às vistas do espectador. Assemelhando-se à
fotografia, há a marcante trilha sonora do argentino Luis Enríquez
Bacalov, posteriormente conhecido no mundo todo por seu trabalho como
compositor de soundtracks para o gênero. Já no processo de
roteirização de Django – apesar de um grande número de pessoas
responsáveis por isto –, a escrita é um dos pontos mais fracos do filme,
sobrecarregando todo o bando. Contudo, como o diretor, Corbucci desfruta
de close-ups para estampar a imagem degradada de seu
personagem, utilizando-se ainda da tensão em momentos necessários.
O que pouco se sabe a respeito de Django é
a simplicidade na qual o projeto foi realizado; prova disto é a falta de
sangue nas cenas onde mais precisariam do elemento. Depois disto, o
famoso argumento chega a ser interessante e abissal, porém sem um
processo criativo muito apurado: o anti-herói chega a uma aparente
cidade-fantasma, envolvendo-se diretamente com os revolucionários
mexicanos do General Hugo (José Bódalo) e com os intolerantes sulistas da
Klu Klux Klan, comandados pelo Major Jackson (Eduardo Fajardo). Além
disto, ainda sobra tempo para o despertar de uma paixão entre Django e a
prostituta Maria (Loredana Nusciak).
A cena de abertura é impagável e
difícil de ser esquecida, tornando-se o melhor instante do longa
realizado com uma fonte escassa de dinheiro. É possível que a partir dela
o filme ganhe mais emoção, criando inúmeras contradições em nossas
cabeças: “Quem é ele? Onde está indo? Por que carrega um caixão? O que há
dentro dele?”, etc... Apesar de tudo, elas nos são respondidas tão rapidamente
que quase nem reparamos.
Primeiramente, Django não pode deixar
de ser comparado ao anti-herói antecessor do spaghetti: o Homem
Sem-Nome, de Sergio Leone. A maior ligação entre eles é o fato de que, em
seus primeiros filmes, ambos chegam misteriosos e em busca de algum
objetivo – seja o dinheiro ou a vingança – numa cidade envolvida por dois
diferentes grupos que batalham entre si. Posteriormente, sabemos que
tanto um quanto outro possui uma mistificação de caráter, sendo quase
impossíveis de serem acertados em um eventual duelo. Mesmo com tais
gotículas de plágio, Django se prevalece na arte de levantar mais
perguntas mesmo sendo um sujeito calado. Entretanto, uma das partes mais
esperadas do filme – a de revelar o que haveria dentro de seu caixão – é
um tanto quanto sem graça e, pelo menos para minha pessoa, o resultado
não surpreende; menos surpreendente ainda é o romance grotesco criado
entre Django e Maria.
Por último e finalizando o filme, há o
surpreendente e inesperado duelo no cemitério. Deixando a surpresa e a
tensão de lado, vemos algo mal realizado, principalmente porque Django
não era capaz nem de posicionar sua arma e muito menos de sair atirando
como um doido, o que no fim acontece.
Sendo um dos filmes favoritos de
Quentin Tarantino, estaria esperando uma completa obra-prima de Django. Infelizmente, tomou um gélido ar de
superestimação em seu conteúdo, mesmo por ser um dos filmes que mais
representam o gênero do western spaghetti, apresentando uma estupenda vingança, uma
diabólica e sádica crueldade e, enfim, os sempre presentes símbolos
religiosos. Olhando de muito distante e deixando passar suas muitas
particularidades e falhas técnicas, o filme realmente merece ser
redescoberto e ter atenção nos dias de hoje. Eu sei que muitos
discordarão de minhas opiniões expostas aqui, mas o que ninguém pode
negar é que o gênero do spaghetti está esculpido em Django assim como a técnica está em uma
escultura de Michelangelo...
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