Franco Nero
(Keoma), Woody Strode (George), William Berger (William Shannon), Donald O'Brien
(Caldwell – como Donald O'Brian), Olga Karlatos (Lisa), Giovanni
Cianfriglia (Membro da gangue – como Ken Wood), Orso Maria Guerrini
(Butch Shannon), Gabriella Giacobbe (Bruxa), Antonio Marsina (Lenny), Joshua
Sinclair (Sam Shannon – como John Loffredo), Leonardo Scavino (Doutor – como
Leon Lenoir), Wolfango Soldati (Soldado confederado), Victoria Zinny (Brothel
Owner)
Sinopse
Ao final da Guerra Civil Americana, um pistoleiro mestiço,
cansado de fazer da morte um meio de vida, retorna para aquilo que um dia
costumava ser seu lar. Seu nome é Keoma. Porém, agora sua cidade natal
está totalmente destruída pela peste e sob o comando de um homem chamado
Capitão Caldwell. Seus meio-irmãos Butch, Sam e Lenny trabalham para o
Capitão e Keoma se vê sozinho contra todos eles. Agora ele está preso no
meio de uma batalha selvagem entre inocentes colonos, bandidos sádicos e
seus meio-irmãos. Em uma terra de ninguém, o grito de um homem ecoa clamando
por justiça... a qualquer custo, um preço que será pago a balas!
Meu
comentário
O ano é de 1976 e estava sendo
estampada o fim de uma das décadas mais contemplativas na história da
sétima-arte, com uma volumosa quantidade dos maiores clássicos marcando
sua presença por esta época. Um destes clássicos seria o último dos
faroestes coesos, definitivos e concretos: estou falando de Keoma, do
diretor e roteirista italiano Enzo G. Castellari.
Naquele determinado ano, o gênero
cinematográfico inventado na Europa e popularizado como western
spaghetti já tinha seus rumos diretamente traçados pelos seus
principais nomes - Sergio Leone, Sam Peckinpah e Sergio Corbucci. Apesar
disso, este novo caráter do cinema europeu teve de lutar muito para
conquistar seu espaço, recebendo duras críticas ao excesso de violência
contextualizado nos trabalhos e até sendo classificados como "lixos
sangrentos". Foi então que há catorze anos do lançamento de Keoma o
gênero teve seu estopim, com o “leônico” Por um Punhado de Dólares. Isto
simplesmente conclui que, apesar do pouco tempo de duração do western
spaghetti, ele foi suficiente para construir a belíssima história
que construiu dentro do planeta cinematográfico!
(Extra
- Franco Nero fala de seu papel no filme Keoma)
Comum em muitos filmes do cinema em um
modo geral, o título original deKeoma se deriva do personagem principal
do trabalho. Além do próprio, outros exemplos desse clichê no faroeste
são Django (1966) e Ringo e sua Pistola Dourada (1965),
ambos de Sergio Corbucci. Coincidindo com tal afirmação, o personagem
principal é Keoma, um mestiço desempenhado pelo formidável Franco Nero em
uma de suas melhores interpretações. O jeito pelo qual o ator entra no
personagem é exuberante, apesar de que a história dada a ele seja um
tanto quanto ultrapassada de acordo com a época em que foi feito o último
dos verdadeiros faroestes: ela se baseia na procura da insaciável e
afamada vingança.
Anexando o agitado passado e o
sangrento presente de Keoma, o uso de pequenos flashbacks se
torna constante, acumulando cada vez mais os personagens na lista de
vingança do anti-herói, onde já são marcados os primeiros nomes quando
ele realiza seu retorno à sua cidade-natal, que passa pela infecção de
uma peste. No caminho, Keoma salva a vida e se apaixona pela garota
grávida de nome Lisa (interpretada por Olga Karlatos). Chegando à cidade,
ele ainda se defronta diretamente com seus três meios-irmãos (Orso Maria
Guerrini, Antonio Marsina e Joshua Sinclair) que fazem parte da gangue do
ex-Confederado e perigoso Caldwell (Donald O’Brian). Neste contexto, o único
objetivo de Keoma é ter a chance de fazer vingança com suas próprias mãos
contra aqueles que o fizeram sofrer antigamente.
Já dispondo de mais tecnologias do que
no início do gênero (quando as produções ainda eram consideradas do TIPO
B) o filme chama a atenção pelo seu aspecto inovador, consagrando principalmente
o diretor Enzo G. Castellari por seu uso de câmeras lentas e da constante
violência brutal, além de planos completamente inusitados; logicamente a
comparação entre ele e Sam Peckinpah não nos escapa à mente, sendo que
com ambos sentimos o prazer em ver aquelas pessoas sendo mortas a partir
de um elegante estilo. Outra diferente ênfase se deve à trilha sonora da
dupla Guido e Maurizio De Angelis, a qual não é nada como os filmes do
gênero estavam acostumados, chamando a atenção para algo mais rústico e
deixando de lado o peculiar instrumental como fazia Ennio Morricone;
aliás, uma das sequelas que o filme deixa em você é a música-tema, por
ser tão marcante. Logo o roteiro criado pelo quarteto Castellari, Ducci,
Montefiori e Roli é um dos elementos de mais destaque em Keoma,
justamente pelo argumento de construção e desenvolvimento do personagem-título
ser algo evidentemente irrepreensível. Por último e ao lado do roteiro,
os temas dramáticos e o tiroteio final são elementos de impressionar,
fazendo com que a mistura causada seja algo milimetricamente perfeito!
(A abertura com a penetrante música-tema
de Keoma)
Keoma é, portanto, uma despedida
não oficial do western spaghetti na história da sétima-arte,
até servindo como uma forma de filme-homenagem a todos os trabalhos
realizados na pequena história do gênero. Prova disso são as diferentes
perspectivas apontadas pelo diretor Castellari, que além de se preocupar
com seu próprio estilo, ainda apresenta os close-ups de Leone e
a violência de Peckinpah – os dois principais precursores do spaghetti. Como
um adeus do gênero no cinema, a película funciona de maneira
mais que especial, causando uma sensação primorosa!
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