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Postado em 29 de abril de 2012
Keoma
Direção: Enzo G. Castellari
 (Clique na figura bara baixar a capa do DVD)
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Título no Original
Keoma
Áudio
Inglês, Italiano, Português
Tempo de duração
105 minutos
Ano de lançamento
1976
País de origem
Itália
Gênero
Western
Elenco
Franco Nero (Keoma), Woody Strode (George), William Berger (William Shannon), Donald O'Brien (Caldwell – como Donald O'Brian), Olga Karlatos (Lisa), Giovanni Cianfriglia (Membro da gangue – como Ken Wood), Orso Maria Guerrini (Butch Shannon), Gabriella Giacobbe (Bruxa), Antonio Marsina (Lenny), Joshua Sinclair (Sam Shannon – como John Loffredo), Leonardo Scavino (Doutor – como Leon Lenoir), Wolfango Soldati (Soldado confederado), Victoria Zinny (Brothel Owner)
Sinopse
Ao final da Guerra Civil Americana, um pistoleiro mestiço, cansado de fazer da morte um meio de vida, retorna para aquilo que um dia costumava ser seu lar. Seu nome é Keoma. Porém, agora sua cidade natal está totalmente destruída pela peste e sob o comando de um homem chamado Capitão Caldwell. Seus meio-irmãos Butch, Sam e Lenny trabalham para o Capitão e Keoma se vê sozinho contra todos eles. Agora ele está preso no meio de uma batalha selvagem entre inocentes colonos, bandidos sádicos e seus meio-irmãos. Em uma terra de ninguém, o grito de um homem ecoa clamando por justiça... a qualquer custo, um preço que será pago a balas!

Meu comentário

O ano é de 1976 e estava sendo estampada o fim de uma das décadas mais contemplativas na história da sétima-arte, com uma volumosa quantidade dos maiores clássicos marcando sua presença por esta época. Um destes clássicos seria o último dos faroestes coesos, definitivos e concretos: estou falando de Keoma, do diretor e roteirista italiano Enzo G. Castellari.
Naquele determinado ano, o gênero cinematográfico inventado na Europa e popularizado como western spaghetti já tinha seus rumos diretamente traçados pelos seus principais nomes - Sergio Leone, Sam Peckinpah e Sergio Corbucci. Apesar disso, este novo caráter do cinema europeu teve de lutar muito para conquistar seu espaço, recebendo duras críticas ao excesso de violência contextualizado nos trabalhos e até sendo classificados como "lixos sangrentos". Foi então que há catorze anos do lançamento de Keoma o gênero teve seu estopim, com o “leônico” Por um Punhado de Dólares. Isto simplesmente conclui que, apesar do pouco tempo de duração do western spaghetti, ele foi suficiente para construir a belíssima história que construiu dentro do planeta cinematográfico!
(Extra - Franco Nero fala de seu papel no filme Keoma)
Comum em muitos filmes do cinema em um modo geral, o título original deKeoma se deriva do personagem principal do trabalho. Além do próprio, outros exemplos desse clichê no faroeste são Django (1966) e Ringo e sua Pistola Dourada (1965), ambos de Sergio Corbucci. Coincidindo com tal afirmação, o personagem principal é Keoma, um mestiço desempenhado pelo formidável Franco Nero em uma de suas melhores interpretações. O jeito pelo qual o ator entra no personagem é exuberante, apesar de que a história dada a ele seja um tanto quanto ultrapassada de acordo com a época em que foi feito o último dos verdadeiros faroestes: ela se baseia na procura da insaciável e afamada vingança.
Anexando o agitado passado e o sangrento presente de Keoma, o uso de pequenos flashbacks se torna constante, acumulando cada vez mais os personagens na lista de vingança do anti-herói, onde já são marcados os primeiros nomes quando ele realiza seu retorno à sua cidade-natal, que passa pela infecção de uma peste. No caminho, Keoma salva a vida e se apaixona pela garota grávida de nome Lisa (interpretada por Olga Karlatos). Chegando à cidade, ele ainda se defronta diretamente com seus três meios-irmãos (Orso Maria Guerrini, Antonio Marsina e Joshua Sinclair) que fazem parte da gangue do ex-Confederado e perigoso Caldwell (Donald O’Brian). Neste contexto, o único objetivo de Keoma é ter a chance de fazer vingança com suas próprias mãos contra aqueles que o fizeram sofrer antigamente.
Já dispondo de mais tecnologias do que no início do gênero (quando as produções ainda eram consideradas do TIPO B) o filme chama a atenção pelo seu aspecto inovador, consagrando principalmente o diretor Enzo G. Castellari por seu uso de câmeras lentas e da constante violência brutal, além de planos completamente inusitados; logicamente a comparação entre ele e Sam Peckinpah não nos escapa à mente, sendo que com ambos sentimos o prazer em ver aquelas pessoas sendo mortas a partir de um elegante estilo. Outra diferente ênfase se deve à trilha sonora da dupla Guido e Maurizio De Angelis, a qual não é nada como os filmes do gênero estavam acostumados, chamando a atenção para algo mais rústico e deixando de lado o peculiar instrumental como fazia Ennio Morricone; aliás, uma das sequelas que o filme deixa em você é a música-tema, por ser tão marcante. Logo o roteiro criado pelo quarteto Castellari, Ducci, Montefiori e Roli é um dos elementos de mais destaque em Keoma, justamente pelo argumento de construção e desenvolvimento do personagem-título ser algo evidentemente irrepreensível. Por último e ao lado do roteiro, os temas dramáticos e o tiroteio final são elementos de impressionar, fazendo com que a mistura causada seja algo milimetricamente perfeito!

 (A abertura com a penetrante música-tema de Keoma)
Keoma é, portanto, uma despedida não oficial do western spaghetti na história da sétima-arte, até servindo como uma forma de filme-homenagem a todos os trabalhos realizados na pequena história do gênero. Prova disso são as diferentes perspectivas apontadas pelo diretor Castellari, que além de se preocupar com seu próprio estilo, ainda apresenta os close-ups de Leone e a violência de Peckinpah – os dois principais precursores do spaghetti. Como um adeus do gênero no cinema, a película funciona de maneira mais que especial, causando uma sensação primorosa!
Minha Nota 7,5

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