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Olhar sorrateiro,
sorrisos e conversa gesticulada, assim foi um dos maiores cantores do Maranhão,
Mestre Antonio Vieira. Nascido em São Luís (MA) em 1920, cantor e
compositor com mais de 60 anos de carreira e obra sólida.
Sério e desenvolto ele
sempre compôs músicas de todos os tipos. Canções que expressam suas raízes,
e os ritmos populares do Maranhão, como Bumba-meu-boi e o Tambor de Crioula,
além da poesia do cotidiano com humor e delicadeza.
O cantor e compositor
maranhense, Antonio Vieira dedicou sua vida à música. Começou a compor
aos dezesseis anos, sendo a música Mulata bonita, sua primeira canção.
Porém, o mestre Antônio
Vieira passou a se dedicar mais a música conforme ia se aposentando de
suas profissões.
Vieira compôs mais de
trezentas canções - entre sambas, valsas, boleros e ritmos regionais -
como baralho e carimbó maranhense - seu trabalho permaneceu praticamente
desconhecido do grande público, a exemplo de outros grandes artistas, que
só tiveram suas obras reconhecidas tardiamente, e hoje fazem parte da
história musical do país.
Antônio Vieira foi bem
criado pela família rica de seu padrinho, o mesmo que lhe deu o nome em
homenagem ao rebuscado e imortal Padre Antônio Vieira.
Se por um lado podia
estudar, por outro conseguia escapar com outras crianças para se perder
entre os pregões do Mercado Central de São Luís. O filho de dona Maria
cresceu próximo ao Mercado Central, local de efervescências sociais e
culturais, com seus muitos personagens. Era a gente do povo.
Naquela época, nem se
sonhava com supermercados, a cidade borbulhava de vendedores típicos
ambulantes, os chamados pregoeiros, que vendiam (ou compravam) de tudo de
porta em porta, anunciando-se com seus pregões cantados e bem-humorados,
que tanto fascinavam o menino. Tudo isso, e a paz de uma cidade ainda civilizada,
ficou para sempre gravado na memória de Seu Vieira.
Antonio nunca teve medo
do batente e fez um pouco de tudo. Foi inventariante de imóveis, sargento
do Exército, comerciante, funcionário da Rádio Timbira, diretor
administrativo de hospital e vendedor de telefones.
Ainda menino, prometeu à
sua segunda mãe:"minha madrinha, quando eu souber escrever, eu vou
fazer o poema para o azul, a cor que eu mais gosto". Mais tarde
compôs o "Poema Para o Azul", cumprindo a promessa de menino.
Para compor, Vieira usa
sua marca registrada, a simplicidade. Ao longo de sua extensa carreira, a
sua principal fonte de inspiração tem sido a vida do homem comum, da
gente das ruas, o amor e o sofrimento das pessoas simples.
Foi somente em 1942 que
Antônio Vieira apareceu em público fazendo parte do quinteto Anjos do
Samba.
Saiu do cenário da
música e pouco mais de vinte anos depois, Vieira volta a aparecer conquistando
o primeiro e o segundo lugares em um festival de música de São Luís. As
músicas premiadas foram “Papagaio de Papel” e “Menino travesso”, ambas
feitas em parceria com Pedro Giusti.
Somente aos 66 anos,
portanto em 1986, foi que Vieira fez sua primeira gravação. A música “Na
cabecinha da Dora” saiu em compacto duplo intitulado Velhos moleques,
produzido por Chico Saldanha, Ubiratan Sousa e Giordano Mochel.
Na mesma época escreveu
um livro a quatro mãos com o também cantor Lopes Bogéa em que se
registrava os refrões dos pregoeiros de São Luís. O livro Pregões de São
Luís deu origem a um LP.
Mas a virada na vida do
Seu Vieira aconteceu mesmo em 1997 quando uma jovem conterrânea sua
gravou duas músicas em seu disco de estréia. “Tem quem queira” e “Cocada”
foram gravadas por Rita Ribeiro e tiveram uma ótima repercussão. Pronto,
Seu Vieira começou a ser conhecido pelo Brasil. Aos 77 anos!
Antes, apenas o paraense Ary Lobo gravara uma composição do mestre
maranhense, “Balaio de Guarimã”. Rita voltou a gravar Seu Vieira em seu
segundo disco, Pérolas aos povos.
Outro jovem maranhense
produziu a tão esperada estréia do já octogenário Antônio Vieira. "O
samba é bom" foi gravado ao vivo no Teatro Arthur Azevedo em São
Luís sob a produção de Zeca
Baleiro e
contou com a participação do próprio, de Elza Soares, Sivuca, Célia Maria e Rita
Ribeiro.
O repertório do
show/disco passeou elegantemente pelo samba, pela valsa, forrós e boleros
e trouxe em 18 faixas, músicas como “Ingredientes do samba”, “Mocambo”,
“Para quê recordar?” e as já citadas
“Cocada”,
“Banho cheiroso” e “Mulata bonita”.
O CD "O Samba é
Bom" do cantor e compositor Antônio Vieira é o primeiro disco solo
de sua carreira. Aos 89 anos, Mestre Vieira foi representante de uma
geração de músicos maranhenses da qual se tem pouco registro.
Gravado ao vivo nos dias
19 e 20 de janeiro de 2001 no Teatro Arthur Azevedo em São Luís, o disco
tem participações de Elza Soares, Sivuca e Rita Ribeiro, além de seu
produtor e idealizador Zeca Baleiro. A canção "Cocada", também
gravada no cd "Rita Ribeiro" de 97, valeu ao autor uma
indicação ao Prêmio Sharp na categoria "Melhor Canção".
Com um acervo de mais de
trezentas composições - entre sambas, valsas, boleros e ritmos regionais,
como baralho e carimbó maranhense - seu trabalho permaneceu praticamente
desconhecido do grande público, a exemplo de outros grandes artistas brasileiros,
como Cartola, Nelson
Cavaquinho, Nelson
Sargento, Clementina de Jesus e Batatinha, que só tiveram suas obras reconhecidas
tardiamente, e hoje fazem parte da história musical do país. Em
2002, o livro/LP Pregões de São Luís se transformou no CD Compositor
popular (Eldorado). Produzido e arranjado por Ubiratan Sousa o disco
trouxe músicas sobre personagens de uma cidade d’outro tempo, tais como
“O carvoeiro”, “O amolador”, “O sorveteiro”, “O verdureiro”, “A doceira”
e “O garrafeiro”.
Já o descreveram como um
homem dado a sambas, farras, cachaça, futebol e mulher. Pelo que se vê em
seus gostos e nas músicas que fez, Mestre Vieira foi, na verdade, dado à
vida.
Não há dúvidas de que,
Mestre Antonio Vieira, ao longo de sua vida, acumulou uma vasta sabedoria
popular e se tornou um ícone da cultura maranhense, fazendo parte da
história musical do país.
Em abril/2009 morre em
São Luís, aos 88 anos, o cantor, compositor e poeta maranhense Antônio
Vieira, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), no UDI hospital.
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