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A peça de William Shakespeare, escrita
em 1611, serviu de base para este filme que conta a história do náufrago
Próspero (Efrem Zimbalist Jr.) e sua bela filha Miranda (J.E. Taylor),
moradores de uma ilha grega isolada. A trama é toda permeada por
histórias de bruxaria e vingança, sendo, talvez, a mais mística e mágica
das obras de Shakespeare.
Apesar de Julie Taymor ser também encenadora teatral,
quem for ver A
Tempestade ao
cinema não vai assistir a uma peça filmada. Longe disso. Trata-se de um
filme interessante, diferente de tudo a que se está habituado, mas dentro
do genero em que a realizadora costuma trabalhar, que faz o espectador
experimentar novas sensações.
Taymor é bastante fiel a Shakespeare nesta adaptação, não se
privando, todavia, de “mudar o sexo” à personagem principal. Próspera (ou Próspero da peça do dramaturgo inglês),
interpretada por Helen
Mirren, era duquesa de Milão, mas, traída pelo seu irmão foi expulsa
da sua cidade, indo viver para uma ilha com a sua filha Miranda (Felicity Jones), onde Caliban (Djimon Hounsou) é o único
habitante. Muitos anos depois, o seu irmão e os seus cúmplices passam ao
largo da ilha e Próspera,
que possui poderes mágicos, invoca uma tempestade e causa o naufrágio do
barco, trazendo até si os homens que lhe destruíram a vida, com o intuito
de se vingar.
A Tempestade não é apenas uma história de traição, vingança e
perdão. É também uma história de amor e está recheada de momentos de
comédia, em que as personagens de Alfred
Molina, Russell
Brand e Djimon Hounsou têm especial destaque. São
aliás estes três atores que protagonizam aquele que é, para mim, o momento
mais divertido do filme, quando Trinculo encontra Caliban no chão e quando, por sua vez, Stephano, bêbedo, os
encontra aos dois, que nos faz dar umas boas gargalhadas.
O ponto forte deste filme é o elenco,
repleto de atores de excelência, com especial destaque, claro, para a
oscarizada Helen Mirren que, mais uma vez, está
brilhante na pele da protagonista Próspera,
uma mulher magoada, sedenta de vingança e muito poderosa, que protege a
sua filha e só quer o melhor para ela. Mirrené,
pode dizer-se, a alma deste filme e a sua personagem é a que está mais
bem explorada. Ben
Whishaw, que encarna o espírito Ariel,
tem também um bom desempenho neste filme. De destacar são ainda as
interpretações de Felicity
Jones e dos três atores
que referi acima: Alfred
Molina, Russell
Brand e Djimon Hounsou.
O filme é muito visual e para tal
contribuem os fabulosos cenários naturais do Havai, onde grande parte do
filme foi rodado. O trabalho de fotografia, a cargo de Stuart Dryburgh, também está bastante bom. A
banda sonora, de Elliot
Goldenthal, é interessante, mas não acrescenta muito mais ao filme.
Destaco contudo o último tema, enquanto passam os créditos finais, que
conta com a voz de Beth
Gibbons, vocalista dosPortishead.
Vale lembrar que A Tempestade entrou na corrida ao Óscar de melhor figurino,
concorrendo com os filmesEu Sou o Amor, O Discurso do Rei, Indomável e Alice no País das
Maravilhas, este último levou o premio.
A Julie Taymor devem ser dados todos os méritos
por este A Tempestade,
tendo em conta a dificuldade em adaptar Shakespeare ao cinema. No entanto, o filme
perde com os diálogos muito clássicos e algo rebuscados (e não poderia
ser diferente sob o perigo em descaracterizar mortalmente o texto
original, e não foi esse o desejo da diretora). A história em si não foi
certamente bem explorada pela cineasta, o que faz com que o elenco de
luxo deste filme não tenha sido aproveitado como deveria. Todavia, vale a
pena ver a forma como esta realizadora visionária concretizou a adaptação
da última obra-prima de Shakespeare e o extraordinário desempenho de Helen Mirren.
Tenho colocado, sempre ao final de
minhas considerações não ser dono da verdade, e para essa Tempestade de Julie Taymor vou um pouco mais além. Ao
término do filme vislumbrei um diretor menos afeito à originalidade que
tivesse coragem de transpor barreiras temporais, sem tirar o mundo
imaginado pelo autor da ótica e vertente original, e transmudasse não
apenas o sexo do protagonista, mas também a realidade temporal misturando
o ontem com o hoje.
Isso já foi feito no distante Maranhão
pelo teatrólogo Ubiratan Teixeira (pai) resultando em releituras de textos
e dando, ao expectador, novos ângulos visionários de deslumbramentos.
Mas esqueçamos meus devaneios, corra!
Assista e veja o motivo de minha exultação.
Nota 8,0
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