04.01-019


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Atualizado em 4 de abril de 2012
A Tempestade
Direção: Julie Taymor
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Título original
The Tempest
Título no Brasil
A Tempestade
Áudio
Inglês, Português
Tempo de duração
110 minutos
Ano de lançamento
201
País de origem
Estados Unidos
Gênero
Drama, Aventura
Elenco
Helen Mirren, Alfred Molina, Russell Brand, Chris Cooper, Alan Cumming, Djimon Hounsou, Ben Whishaw, David Strathairn.
Sinopse
Próspera (Hellem Mirren) é traída por seu irmão e enviada com sua filha de quatro anos para uma ilha. Estamos entre o século 16 e 17: mulheres que praticassem química eram condenadas como bruxas. Sozinha, Próspera torna-se também a única figura paterna presente na vida de sua filha, o que acaba levando a mulher a uma batalha de ideias com Caliban (Djimon Hounsou).

Meu comentário

A peça de William Shakespeare, escrita em 1611, serviu de base para este filme que conta a história do náufrago Próspero (Efrem Zimbalist Jr.) e sua bela filha Miranda (J.E. Taylor), moradores de uma ilha grega isolada. A trama é toda permeada por histórias de bruxaria e vingança, sendo, talvez, a mais mística e mágica das obras de Shakespeare.
Apesar de Julie Taymor ser também encenadora teatral, quem for ver A Tempestade ao cinema não vai assistir a uma peça filmada. Longe disso. Trata-se de um filme interessante, diferente de tudo a que se está habituado, mas dentro do genero em que a realizadora costuma trabalhar, que faz o espectador experimentar novas sensações.
Taymor é bastante fiel a Shakespeare nesta adaptação, não se privando, todavia, de “mudar o sexo” à personagem principal. Próspera (ou Próspero da peça do dramaturgo inglês), interpretada por Helen Mirren, era duquesa de Milão, mas, traída pelo seu irmão foi expulsa da sua cidade, indo viver para uma ilha com a sua filha Miranda (Felicity Jones), onde Caliban (Djimon Hounsou) é o único habitante. Muitos anos depois, o seu irmão e os seus cúmplices passam ao largo da ilha e Próspera, que possui poderes mágicos, invoca uma tempestade e causa o naufrágio do barco, trazendo até si os homens que lhe destruíram a vida, com o intuito de se vingar.
A Tempestade não é apenas uma história de traição, vingança e perdão. É também uma história de amor e está recheada de momentos de comédia, em que as personagens de Alfred Molina, Russell Brand e Djimon Hounsou têm especial destaque. São aliás estes três atores que protagonizam aquele que é, para mim, o momento mais divertido do filme, quando Trinculo encontra Caliban no chão e quando, por sua vez, Stephano, bêbedo, os encontra aos dois, que nos faz dar umas boas gargalhadas.
O ponto forte deste filme é o elenco, repleto de atores de excelência, com especial destaque, claro, para a oscarizada Helen Mirren que, mais uma vez, está brilhante na pele da protagonista Próspera, uma mulher magoada, sedenta de vingança e muito poderosa, que protege a sua filha e só quer o melhor para ela. Mirrené, pode dizer-se, a alma deste filme e a sua personagem é a que está mais bem explorada. Ben Whishaw, que encarna o espírito Ariel, tem também um bom desempenho neste filme. De destacar são ainda as interpretações de Felicity Jones e dos três atores que referi acima: Alfred Molina, Russell Brand e Djimon Hounsou.
O filme é muito visual e para tal contribuem os fabulosos cenários naturais do Havai, onde grande parte do filme foi rodado. O trabalho de fotografia, a cargo de Stuart Dryburgh, também está bastante bom. A banda sonora, de Elliot Goldenthal, é interessante, mas não acrescenta muito mais ao filme. Destaco contudo o último tema, enquanto passam os créditos finais, que conta com a voz de Beth Gibbons, vocalista dosPortishead.
Vale lembrar que A Tempestade entrou na corrida ao Óscar de melhor figurino, concorrendo com os filmesEu Sou o Amor, O Discurso do Rei, Indomável e Alice no País das Maravilhas, este último levou o premio.
A Julie Taymor devem ser dados todos os méritos por este A Tempestade, tendo em conta a dificuldade em adaptar Shakespeare ao cinema. No entanto, o filme perde com os diálogos muito clássicos e algo rebuscados (e não poderia ser diferente sob o perigo em descaracterizar mortalmente o texto original, e não foi esse o desejo da diretora). A história em si não foi certamente bem explorada pela cineasta, o que faz com que o elenco de luxo deste filme não tenha sido aproveitado como deveria. Todavia, vale a pena ver a forma como esta realizadora visionária concretizou a adaptação da última obra-prima de Shakespeare e o extraordinário desempenho de Helen Mirren.
Tenho colocado, sempre ao final de minhas considerações não ser dono da verdade, e para essa Tempestade de Julie Taymor vou um pouco mais além. Ao término do filme vislumbrei um diretor menos afeito à originalidade que tivesse coragem de transpor barreiras temporais, sem tirar o mundo imaginado pelo autor da ótica e vertente original, e transmudasse não apenas o sexo do protagonista, mas também a realidade temporal misturando o ontem com o hoje.
Isso já foi feito no distante Maranhão pelo teatrólogo Ubiratan Teixeira (pai) resultando em releituras de textos e dando, ao expectador, novos ângulos visionários de deslumbramentos.
Mas esqueçamos meus devaneios, corra! Assista e veja o motivo de minha exultação.

 Nota 8,0

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