| A princípio olhar o quadro de elenco desse filme imagina-se ser uma ótima opção de diversão, afinal nomes com Gwyneth Paltrow que já nos brindou com ótimas interpretações (O primeiro amor de um homem, Homem de Ferro 1 e 2 (também estará no 3), Possessão, O Amor é cego e muitos outros), Laurence Fishburne (Matrix (todos os 3), O Enigma do Horizonte, A Cor Purpura, Apocalypse Now, ...) e Matt Damon (Preço da Paixão, Código de Honra, Resgate do soldado Ryan, O Talentoso Riplay, Onze homens e um segredo, A Identidade Bourn (toda a saga), ...) para citar apenas três encheu meus olhos e corri para enfrentar a longa fila na frente do cinema – sou aficionado nesse tipo de filme. Contágio é um filme que se leva a sério, mas que não se permite ser encarado da mesma maneira, pois jamais se aprofunda em suas diversas tramas e personagens, conduzindo o espectador a um passeio relativamente tenso, porém superficial. Soderbergh é um diretor de talento, sem sombra de dúvidas, mas aqui fraquejou ao investir em um enredo indeciso. Se há um mérito que seja por parte de Scott Z. Burns e seus escritos é a grande metáfora de cunho jornalístico que configura toda a fita, já que essa consegue transitar bem entre os mais variados momentos de um caso que vira manchete nos jornais, indo desde o desconhecimento, passando pela euforia e culminando na morte do assunto, tão logo novos e mais "apropriados" casos surjam. Por outro lado, todo o impacto que uma epidemia é capaz de causar, já que dizima grande parte da população mundial, não salta da tela, instalando no espectador, no máximo, uma pequena inquietude. Contando a história do surgimento de um novo vírus, que logo se torna uma epidemia de proporções tão avassaladoras como a Gripe Espanhola, acompanhamos o desenrolar de suas conseqüências nas mais distintas camadas sociais, seja o receio de um pai sem recursos (John Hawkes) para com seu filho, a visão de um repórter aproveitador (Jude Law), o temor de um pai (Matt Damon) que vê sua família ser destruída pela doença, ou os esforços de altos membros da sociedade científica em conter a ameaça, aqui apontados na pele dos doutores Ellis Cheever (Laurence Fishburne), Emin Mears (Kate Winslet) e Leonora Orantes (Marion Cotillard). Nem mesmo esse elenco fantástico é capaz de direcionar a película para uma linha mais concisa, já que os personagens não têm tempo para se desenvolverem, restando aos atores repetirem velhas fórmulas. Prova disso é a dificuldade em resgatar da memória o nome de qualquer uma daquelas figuras apresentadas na trama de Contágio. E se Damon, Hawkes e Fishburne rendem interpretações firmes, o mesmo não pode ser dito de Gwyneth Paltrow e Kate Winslet, meros instrumentos do diretor para chocar o público através de rostos conhecidos e mortes rápidas. Já a presença de Marion Cotillard é atirada na lata do lixo através de uma trama fraca e completamente despropositada, tanto que é esquecida pelo roteiro durante boa parte da projeção. E Jude Law, mesmo compondo o personagem mais interessante da trama graças a sua ambiguidade, é sabotado por um recurso físico - uma prótese dentária - que tira a atenção das suas maquinações e leva-a para um defeito físico que em nada acrescenta ao seu papel ou personalidade. Por outro lado, a direção de arte e a fotografia conseguem representar bem as mais diferenciadas localidades mostradas no filme, indo desde Hong Kong e suas aglomerações populares, até os subúrbios tranqüilos de cidades norte-americanas, bem como o caos que se instala nos mais diversos locais quando a doença atinge números alarmantes, seja no lixo que se acumula nas ruas ou nas prateleiras vazias de um supermercado. E em vários instantes de reflexão ou pesar, é interessante notar como as cenas mergulham em sombras, como quando a Dra. Emin Mears encontra-se sozinha e trancada em um quarto de hotel ou quando Cheever percebe que é impossível tratar com indiferença um simples faxineiro do Centro de Controle de Doenças. A trilha sonora de Cliff Martinez, sempre nervosa, retrata bem os momentos de tensão e euforia pelos quais passa a população, e mesmo quando a incerteza do amanhã é apenas particular, centrada em um personagem, os acordes sabem como acompanhá-lo. Investindo em batidas e sons eletrônicos, as composições de Martinez podem causar estranheza em um primeiro momento, mas logo se tornam peças fundamentais do filme. Apesar dessas pequenas passagens de brilhantismo, Contágio não mostra a que veio, já que resolve investir no recurso de contar o início da história ao final da projeção, não causando qualquer impacto no espectador. Antes mesmo de ser uma surpresa, o começo da trama decepciona não só por já ter sido expresso pelos personagens durante o filme como também por indicar a falta de uma grande quantidade de massa encefálica por parte deles que, imbuídos de tantos recursos, foram capazes de saber até mesmo o que uma personagem tomou no dia em que a epidemia foi propagada, mas não puderam localizar o supracitado. Não sou dono da verdade, mas a realidade entre o prometido pelo estúdio, pelo alarde no lançamento e pelos trailers que enxurraram a televisão e os cinemas não foi cumprida. Mas se você quer passar uma hora e quarenta e seis minutos tentando descobrir o inexistente, não perca tempo e veja se não sai da sessão contagiado de decepção, para não falar raiva... |
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